Um problema que ainda mora em silêncio

A violência doméstica é uma realidade alarmante no Brasil e no mundo. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, o país registrou cerca de 1.400 feminicídios, a maioria cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Mas o que esses números não mostram são as diversas formas de violência que permanecem invisíveis aos olhos da sociedade.

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) define violência doméstica como “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial” no ambiente familiar. Isso significa que não estamos falando apenas de agressões físicas.

Formas de violência doméstica

Segundo a lei, as violências podem ser:

  1. Violência física: qualquer conduta que ofenda a integridade corporal.

  2. Violência psicológica: ameaça, humilhação, manipulação emocional, gaslighting.

  3. Violência sexual: forçar relações sem consentimento ou impedir o uso de métodos contraceptivos.

  4. Violência patrimonial: controlar ou destruir bens, documentos ou recursos financeiros da vítima.

  5. Violência moral: calúnia, difamação ou injúria.


Violência velada: quando o controle e o medo são invisíveis

A violência velada acontece sem marcas visíveis, mas com danos profundos. Exemplos comuns incluem:

  • Isolamento: impedir contatos com amigos, familiares, colegas.

  • Controle de rotinas: horários, redes sociais, roupas.

  • Gaslighting: manipulação para fazer a vítima duvidar de si mesma.

  • Controle financeiro: impedir acesso a dinheiro ou bens.

Esses comportamentos, quando repetidos, minam a autonomia e a saúde mental da vítima, gerando ansiedade, depressão e sensação de impotência.

Casos reais que evidenciam a gravidade

  • Tatiane Spitzner (2018): o Brasil acompanhou com comoção o caso da advogada que morreu ao cair do 4º andar de um prédio em Guarapuava-PR. Câmeras do elevador mostraram agressões físicas momentos antes.

  • Eliza Samudio (2010): vítima de feminicídio brutal, Eliza já havia registrado queixas contra o goleiro Bruno, mostrando que o histórico de violência estava presente antes da tragédia.

  • Mariana Ferrer (2020): um exemplo de violência institucional, Mariana foi humilhada publicamente durante um julgamento de estupro, evidenciando que a violência pode se perpetuar mesmo no sistema de Justiça.


O ciclo da violência: por que é difícil sair

O ciclo da violência, descrito por Lenore Walker (1979), ajuda a entender porque muitas vítimas permanecem na relação:

  1. Fase da tensão: pequenas agressões verbais ou psicológicas aumentam.

  2. Fase da explosão: agressão física, sexual ou severa.

  3. Fase da lua de mel: o agressor pede desculpas, promete mudar, sendo carinhoso e manipulador.

Esse ciclo se repete e faz a vítima acreditar que a situação vai melhorar, dificultando o rompimento.

Fatores de risco e sinais de alerta

  • Ameaças veladas ou explícitas de morte.

  • Proibição de trabalhar ou estudar.

  • Vigilância extrema e invasão de privacidade.

  • Mudança brusca no comportamento social da vítima.

  • Histórico de violência com outras pessoas.


Por que conversar com a IVY pode salvar vidas

A IVY é uma ferramenta de escuta ativa e acolhimento, acessível 24h, anônima, ética e segura. Conversar com a IVY não exige que você denuncie formalmente ou se exponha. Às vezes, falar é o primeiro passo para entender que o que você vive é violência — e que há alternativas.

Além disso, a IVY ajuda a organizar pensamentos e sentimentos, identificar riscos e, quando desejado, direcionar para profissionais ou serviços especializados. Isso inclui psicólogos, advogados, assistentes sociais ou redes de apoio.

A IVY também gera relatórios anonimizados que ajudam a mapear áreas de maior incidência de violência, auxiliando políticas públicas, ONGs e empresas em ações preventivas.

Redes de apoio e denúncia

Caso você ou alguém que conheça esteja em situação de violência, além da IVY, existem canais importantes:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher.

  • Disque 100: Direitos Humanos.

  • Polícia Militar: 190.

  • Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs).

  • Aplicativo “SOS Mulher” (disponível em alguns estados).

  • Instituto Maria da Penha: informações e suporte jurídico.


Conclusão

Violência doméstica não é um problema privado. É uma questão de saúde pública, de direitos humanos e de cidadania. Conversar com a IVY pode ser o primeiro passo para romper o ciclo da violência.

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Referências:

  • Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2023.

  • Lei Maria da Penha: Lei nº 11.340/2006.

  • Walker, Lenore. The Battered Woman, 1979.

  • ONU Mulheres Brasil.

  • Instituto Maria da Penha.

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